
30 de setembro de 2026
O nascimento de um bebê inaugura uma fase cheia de descobertas para a mamãe e o papai, neste artigo vamos ajudá-los a organizar um cuidado que também merece espaço nessa nova rotina: a vacinação durante o puerpéio.
Esse é um período especialmente importante para olhar novamente a sua caderneta de vacinação e verificar se existe alguma dose pendente ou alguma vacina que não pôde ser administrada durante a gestação. Ou de algumas vacinas que não são recomendadas durante a gestação mas podem ser indicadas depois do parto, mesmo durante a amamentação.
Neste guia, vamos explicar o que você precisa saber sobre vacinação no puerpério em 2026, de forma simples, acolhedora e baseada em evidências.
O puerpério é o período que começa após o parto e envolve uma série de transformações físicas e emocionais enquanto o organismo da mulher retorna gradualmente às condições anteriores à gestação.
Puerpério imediato: primeiras 24 horas após o parto;
Puerpério mediato: de 24 a 72 horas;
Puerpério tardio: de 72 horas até o 11º dia;
Puerpério remoto: a partir do 12º dia pós-parto.
Independentemente dessa classificação, o período após o nascimento pode ser uma oportunidade valiosa para revisar a proteção vacinal da mãe.
Durante a gestação, algumas vacinas são evitadas ou têm seu uso restrito. Por isso, pode acontecer de a mulher chegar ao parto com alguma vacina pendente e o pós-parto permite retomar esse cuidado.
Como sempre retomamos em nossos artigos, além de proteger a própria mãe, a vacinação também pode contribuir para proteger o bebê de forma indireta e complementar ao calendário de vacinação do bebês nos primeiros meses. Uma mamãe imunizada tem menor risco de adoecer e, consequentemente, de transmitir determinadas infecções ao recém-nascido, devido também a transferência de componentes da imunidade materna pelo leite materno. Esse é um cuidado que olha para duas pessoas ao mesmo tempo: a mulher que acabou de dar à luz e o bebê que acaba de chegar.
Não existe uma lista única que sirva para todas as mulheres.
A indicação depende de fatores como idade, histórico vacinal, vacinas recebidas durante a gestação, presença de doenças crônicas, exposição a riscos e recomendações vigentes do Programa Nacional de Imunizações (PNI) e das sociedades médicas.
Ainda assim, algumas vacinas merecem atenção especial no pós-parto.
Vale destacar que quando são vacinas indicada para a gestante deve ser realizada preferencialmente durante a própria gestação. Isso permite que os anticorpos maternos sejam transferidos para o bebê ainda durante a gravidez.
Na outra ponta, temos algumas vacinas contraindicadas durante a gravidez, mas que podem ser recomendadas após o parto
Em especial as três a seguir, inclusive para mulheres que estão amamentando, desde que estejam indicadas de acordo com o histórico e as recomendações para aquela mulher:
A vacina tríplice viral protege contra sarampo, caxumba e rubéola.
Como é uma vacina de vírus vivos atenuados, ela não é utilizada rotineiramente durante a gestação. Por isso, o pós-parto pode representar uma oportunidade para imunizar mulheres suscetíveis.
Já a proteção contra a rubéola é particularmente importante pensando também em futuras gestações.
A varicela, conhecida popularmente como catapora, também é uma doença contra a qual a vacinação deve ser planejada de acordo com o histórico individual.
A vacina é contraindicada durante a gestação, mas a recomendação é de que ela seja considerada no puerpério quando indicada, inclusive durante a amamentação.
A vacinação contra o HPV não é recomendada durante a gestação por falta de evidências suficientes para seu uso nesse período. No entanto, pode ser administrada após o parto quando indicada.
Por isso, se a vacinação contra HPV estava prevista e acabou sendo adiada por causa da gravidez, o pós-parto pode ser o momento de retomar o esquema.
O pós-parto pode ser intenso. Por isso, ter um pequeno checklist pode ajudar a não deixar a vacinação para depois. Antes ou durante uma consulta, procure:
separar a caderneta de vacinação;
verificar quais vacinas foram recebidas durante a gestação;
identificar doses que ficaram pendentes;
informar ao profissional de saúde que está amamentando;
contar se possui alguma doença crônica ou condição que altere as recomendações de vacinação;
perguntar quais vacinas são indicadas para sua idade e situação;
confirmar quais doses devem ser realizadas no SUS e quais podem estar disponíveis na rede privada;
registrar as novas doses recebidas.
O puerpério é uma fase de muitas mudanças. O acompanhamento profissional existe justamente para ajudar a organizar cada etapa.
Entre o cuidado com o bebê, a recuperação do parto e todas as novidades dessa fase, é fácil deixar as próprias necessidades para depois.
Revisar a vacinação é uma atitude simples que pode fazer parte do acompanhamento pós-parto e que ajuda a construir uma proteção mais completa para a mulher e sua família.
Cuidar de quem cuida também é cuidar.
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