
2 de outubro de 2026
Todos os anos, em 5 de outubro, o Dia Mundial de Combate à Meningite chama atenção para uma doença que pode atingir pessoas de diferentes idades e que, em algumas de suas formas, pode evoluir rapidamente.
Mas quando falamos em meningite, existe uma informação importante que nem todo mundo conhece: meningite não é uma doença única e também não existe uma única “vacina da meningite”.
Diferentes vírus, bactérias, fungos e outros agentes podem provocar a inflamação das meninges, membranas que envolvem e protegem o cérebro e a medula espinhal. Por isso, entender as diferenças também ajuda a compreender como podemos nos proteger.
Neste Dia Mundial de Combate à Meningite, vamos explicar o que você precisa saber sobre a doença, seus principais sinais e, principalmente, como a vacinação pode ajudar na prevenção.
A meningite acontece quando as meninges, membranas que revestem o cérebro e a medula espinhal, ficam inflamadas.
As causas podem ser diversas. Vírus e bactérias estão entre os agentes mais conhecidos, mas a doença também pode ser provocada por fungos, parasitas e até por algumas condições não infecciosas.
As meningites virais costumam apresentar evolução mais branda na maioria dos casos. Já as meningites bacterianas merecem atenção especial, porque podem apresentar quadros mais graves e evoluir rapidamente.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 1 em cada 6 pessoas que desenvolvem meningite bacteriana morre, enquanto cerca de 1 em cada 5 sobreviventes pode apresentar complicações graves e de longa duração.
Porque, principalmente nas formas bacterianas, o tempo pode fazer diferença.
Febre, dor de cabeça intensa e rigidez no pescoço estão entre os sinais mais conhecidos. Também podem surgir náuseas, vômitos, sensibilidade à luz, sonolência e confusão mental.
Em bebês e crianças pequenas, os sinais nem sempre são tão evidentes. Irritabilidade, choro persistente, dificuldade para se alimentar, vômitos, sonolência e a moleira estufada podem aparecer.
Alguns quadros podem apresentar ainda convulsões, dificuldade para acordar e manchas vermelhas ou arroxeadas na pele.
Nesses casos, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente. A meningite é uma emergência médica e a investigação e o tratamento não devem ser adiados.
Não.
Essa é uma diferença importante porque o termo “meningite” descreve a inflamação das meninges, mas não identifica sozinho o agente responsável por ela.
As meningites virais são causadas por diferentes vírus e, na maioria dos casos, apresentam evolução mais favorável.
Já entre as principais bactérias associadas às meningites estão o meningococo (Neisseria meningitidis), o pneumococo (Streptococcus pneumoniae) e o Haemophilus influenzae tipo b (Hib).
No Brasil, crianças menores de 5 anos estão entre os grupos mais atingidos pela doença. Dados do Ministério da Saúde também mostram que, embora existam diferentes tipos de meningite, as formas bacterianas concentram uma parcela importante dos casos graves e dos óbitos.
Na verdade, existem diferentes vacinas capazes de prevenir diferentes causas de meningite.
Isso acontece porque vários agentes podem provocar a doença. Não existe, atualmente, uma vacina universal que proteja contra todos eles.
Entre as principais vacinas que ajudam a prevenir formas bacterianas de meningite estão:
Meningocócica ACWY: protege contra doenças causadas pelos meningococos dos sorogrupos A, C, W e Y;
Meningocócica B: protege contra doenças causadas pelo meningococo do sorogrupo B;
Vacinas pneumocócicas: ajudam a prevenir doenças invasivas provocadas pelo pneumococo, incluindo meningite;
Vacina contra Haemophilus influenzae tipo b (Hib): ajuda a prevenir infecções invasivas causadas pela bactéria, incluindo meningite.
A BCG também exerce um papel importante na infância ao proteger contra formas graves da tuberculose, entre elas a meningite tuberculosa.
Por isso, quando alguém fala simplesmente em “vacina da meningite”, vale lembrar: a proteção contra a doença é construída por mais de uma vacina.
Os nomes estão relacionados aos diferentes sorogrupos do meningococo, uma das bactérias capazes de causar meningite e infecção generalizada.
A meningocócica C protege especificamente contra o sorogrupo C.
Já a meningocócica ACWY amplia essa proteção para quatro sorogrupos: A, C, W e Y. A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) recomenda, sempre que possível, a preferência pela MenACWY no calendário infantil devido à maior abrangência de sorogrupos.
A meningocócica B, por sua vez, é direcionada ao sorogrupo B e também faz parte das recomendações da SBIm para crianças e adolescentes. Atualmente, ela está disponível nos serviços privados de vacinação.
São proteções diferentes e complementares. Por isso, analisar somente se existe uma dose registrada como “meningite” na caderneta pode não ser suficiente para saber se a proteção está adequada para a idade.
A meningite pode acometer pessoas de qualquer idade, mas o risco e os agentes mais frequentes mudam ao longo da vida.
Bebês e crianças pequenas estão entre os grupos de maior atenção. Adolescentes também têm recomendações específicas para vacinação meningocócica, enquanto determinados adultos, idosos, pessoas com condições de saúde específicas e viajantes podem ter indicação de vacinação de acordo com o risco individual ou epidemiológico.
Por isso, o calendário deve ser analisado considerando idade, histórico de vacinação, condições de saúde e possíveis fatores de risco.
O Dia Mundial de Combate à Meningite pode ser um bom momento para abrir a caderneta de vacinação da família e conferir:
quais vacinas meningocócicas já foram realizadas;
se todas as doses e reforços indicados para a idade foram recebidos;
se há registro das vacinas pneumocócicas;
no caso das crianças, se o esquema contra Hib está completo;
se houve alguma mudança nas recomendações desde a última avaliação;
se existe alguma condição de saúde que possa exigir um esquema específico.
Em caso de dúvida, a avaliação de um profissional ajuda a identificar quais doses já foram feitas e quais ainda podem ser necessárias.
Falar sobre meningite não precisa significar viver com medo da doença.
Significa entender que existem diferentes causas, reconhecer que alguns quadros exigem atendimento rápido e saber que temos ferramentas importantes para prevenção.
A vacinação transformou a forma como lidamos com diversas doenças capazes de provocar meningite e continua sendo uma das principais estratégias para reduzir casos graves, sequelas e mortes.
Neste Dia Mundial de Combate à Meningite, aproveite para conferir a caderneta de vacinação de quem você ama.
Na Nina Saúde, acreditamos que informação e prevenção também são formas de cuidado. Manter a vacinação em dia é uma maneira de construir proteção hoje e para todas as fases da vida.
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