
2 de outubro de 2026
Nos últimos meses, novos casos de sarampo voltaram a aparecer no Brasil. E, quando lemos uma notícia assim, é natural surgir a dúvida: afinal, o sarampo voltou ao país?
A resposta exige um pouco de contexto.
O Brasil realmente voltou a registrar casos da doença, mas isso não significa que o sarampo tenha voltado a circular de forma endêmica no território nacional.
Até a semana epidemiológica 38 de 2026, foram confirmados 42 casos de sarampo no país, a maior parte deles registrada em São Paulo. Mesmo diante desses casos, o Brasil mantém o status de país livre da circulação endêmica da doença.
Mas como é possível ter casos de uma doença considerada eliminada? É isso que vamos explicar.
Primeiro, é importante diferenciar eliminação de erradicação.
Quando uma doença é erradicada, ela deixa de circular em todo o mundo. Foi o que aconteceu com a varíola.
Já a eliminação significa que a transmissão contínua daquela doença foi interrompida em determinado território.
No caso do sarampo, um país pode ser considerado livre da circulação endêmica e ainda assim registrar casos trazidos de outros lugares. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), considera-se transmissão endêmica aquela que permanece continuamente por pelo menos 12 meses em determinada região.
O Brasil recuperou, em novembro de 2024, a certificação de eliminação da circulação endêmica do sarampo e mantém esse status atualmente.
Ou seja: o vírus pode chegar ao país sem que isso signifique, automaticamente, que o sarampo voltou a circular de maneira sustentada por aqui.
Vivemos em um mundo em constante circulação.
Pessoas viajam, atravessam fronteiras e entram em contato com vírus que continuam circulando em outros países. Com o sarampo não é diferente.
Um caso é considerado importado quando existem evidências de que a pessoa foi infectada fora do país antes de apresentar os sintomas.
Também podem ocorrer casos relacionados à importação, quando uma pessoa infectada no exterior transmite o vírus para alguém já dentro do Brasil.
Esse cenário merece atenção especialmente porque o sarampo é uma doença altamente contagiosa. Segundo a OMS, uma pessoa infectada pode transmitir o vírus para até 18 outras pessoas suscetíveis.
É justamente por isso que cada caso precisa ser investigado e acompanhado rapidamente pelas autoridades de saúde.
Até a semana epidemiológica 38, o Ministério da Saúde havia confirmado 42 casos de sarampo no Brasil em 2026.
Desses, 36 foram registrados em São Paulo, cinco no Amazonas e um no Rio de Janeiro. Entre os registros existem casos associados a viagens internacionais e outros cuja fonte de infecção ainda estava em investigação.
Em setembro, por exemplo, o Ministério da Saúde enviou equipes ao Amazonas após a identificação de casos importados em Tabatinga, na região de fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru. As ações envolveram investigação, acompanhamento de contatos e vacinação para impedir novas cadeias de transmissão.
Até o momento, esses registros não representam o restabelecimento da circulação endêmica do sarampo no Brasil.
Mas eles servem como um alerta importante.
Justamente porque o vírus não foi erradicado do mundo.
Enquanto existirem regiões onde o sarampo continua circulando, existe a possibilidade de uma pessoa infectada chegar ao Brasil e introduzir novamente o vírus.
O que acontece depois dessa introdução depende, entre outros fatores, de quantas pessoas encontram-se protegidas.
Quando a cobertura vacinal está alta, o vírus encontra menos pessoas suscetíveis e as chances de estabelecer cadeias prolongadas de transmissão diminuem.
Quando existem muitos indivíduos sem proteção, o cenário muda.
E o Brasil já viveu essa situação.
Em 2018, o vírus do sarampo foi reintroduzido no país.
Naquele momento, o Brasil enfrentava baixas coberturas vacinais e um número significativo de pessoas não vacinadas. O vírus encontrou espaço para se disseminar e provocou grandes surtos.
Depois de mais de 12 meses de transmissão contínua, o país perdeu, em 2019, a certificação de eliminação do sarampo.
Foram necessários anos de vigilância, vacinação e interrupção das cadeias de transmissão para que o Brasil recuperasse a certificação em 2024.
Essa história ajuda a entender por que casos isolados ou importados não devem ser motivo para pânico, mas também não devem ser ignorados.
Para impedir a circulação do sarampo, não basta que a maioria das pessoas esteja vacinada. É necessário manter coberturas muito altas e distribuídas de maneira homogênea pelo país.
A meta estabelecida para a vacinação contra o sarampo é de 95%.
Em 2025, a primeira dose da tríplice viral alcançou cobertura nacional próxima desse percentual, mas a segunda dose ficou abaixo da meta. Além disso, nem todos os municípios alcançaram cobertura adequada, criando grupos de pessoas suscetíveis em diferentes regiões.
Essas diferenças importam porque o sarampo aproveita justamente as brechas deixadas pela falta de vacinação.
A principal forma de prevenção é a vacinação.
A vacina tríplice viral protege contra três doenças:
sarampo;
caxumba;
rubéola.
Existe também a vacina tetraviral, que acrescenta proteção contra a varicela.
O número de doses recomendado varia conforme a idade, o histórico de vacinação e algumas situações específicas. Por isso, mais importante do que tentar lembrar quando foi sua última dose é consultar a caderneta e verificar se o esquema está completo para a sua faixa etária.
Quem não possui registro ou não sabe se recebeu as doses recomendadas também deve procurar orientação para avaliar a necessidade de atualização da vacinação.
O Brasil voltou a registrar casos, mas permanece livre da circulação endêmica do sarampo.
Essa diferença é importante.
Ao mesmo tempo, os novos registros mostram por que eliminar uma doença não significa que podemos deixar de preveni-la.
Enquanto o vírus continuar circulando em outras partes do mundo, novas introduções podem acontecer. E manter a população protegida é uma das principais formas de impedir que esses casos isolados voltem a se transformar em grandes cadeias de transmissão.
Por isso, aproveite o alerta para conferir a sua caderneta de vacinação e a de quem você ama.
Na Nina Saúde, acreditamos que prevenção também começa com informação. Manter a vacinação em dia ajuda a proteger você, sua família e contribui para que doenças que já conseguimos controlar continuem distantes da nossa rotina.
Assine nossa Newsletter
Meningite: entenda as formas de prevenção
2 de outubro de 2026
Leia mais
É preciso se vacinar no puerpério?
30 de setembro de 2026
Leia mais
Como as mudanças climáticas afetam a ocorrência de doenças? Entenda
28 de setembro de 2026
Leia mais
Tem mais de 40 anos? Veja quais imunizantes tomar
18 de setembro de 2026
Leia mais
Atendimento via Whatsapp
