
15 de outubro de 2026
O fim do ano está se aproximando e, junto com ele, também chega ao fim uma oportunidade importante para adolescentes e jovens que ainda não receberam a vacina contra o HPV.
Em 2026, o Ministério da Saúde prorrogou até 31 de dezembro a estratégia de resgate vacinal para pessoas de 15 a 19 anos que não foram vacinadas na idade recomendada ou que não possuem registro da vacinação.
Mas essa mobilização também traz uma oportunidade para falar sobre algo maior: a proteção contra o HPV não interessa apenas aos adolescentes e existem diferentes recomendações de vacinação de acordo com idade, histórico vacinal e condições de saúde.
Neste artigo, vamos explicar o que é o HPV, por que a vacinação é tão importante e quem deve aproveitar este momento para conferir a própria situação vacinal.
HPV é a sigla para papilomavírus humano, um grupo formado por mais de 200 tipos de vírus capazes de infectar a pele e as mucosas. A infecção pelo HPV é muito comum e, muitas vezes, pode acontecer sem provocar qualquer sintoma.
Enquanto alguns tipos estão relacionados principalmente ao aparecimento de verrugas, outros podem provocar alterações celulares que, ao longo do tempo, estão associadas ao desenvolvimento de diferentes tipos de câncer. Entre eles estão cânceres do colo do útero, ânus, pênis, vulva, vagina e algumas regiões da boca e da garganta.
É por isso que falar sobre vacinação contra o HPV também é falar sobre prevenção de câncer.
A vacinação é especialmente importante antes do contato com o vírus. Por isso, o Calendário Nacional de Vacinação concentra a vacinação de rotina entre meninas e meninos de 9 a 14 anos. Atualmente, o SUS utiliza a vacina HPV quadrivalente nessa faixa etária.
Isso não significa, porém, que uma pessoa que passou dessa idade automaticamente perdeu qualquer possibilidade de se beneficiar da vacinação. As recomendações variam conforme a idade, o histórico vacinal e situações específicas.
É justamente aí que entra a estratégia de resgate realizada em 2026.
Até 31 de dezembro de 2026, adolescentes e jovens de 15 a 19 anos que não receberam a vacina contra o HPV anteriormente ou que não possuem registro da vacinação podem procurar os serviços de saúde para atualizar a proteção.
A iniciativa busca alcançar justamente quem deixou de receber a vacina durante a faixa etária originalmente prevista pelo calendário. Por isso, se existe um adolescente ou jovem nessa idade na família, este pode ser um bom momento para procurar a caderneta de vacinação e conferir o histórico.
A vacinação contra o HPV não necessariamente termina aos 19 anos. Aqui é importante diferenciar o Calendário Nacional de Vacinação das recomendações das sociedades médicas e das possibilidades encontradas nos serviços privados.
A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), por exemplo, recomenda a vacinação contra HPV também para adultos. Para pessoas não vacinadas anteriormente, a recomendação atual considera duas doses para quem inicia a vacinação antes dos 20 anos e três doses a partir dos 20 anos.
Nos serviços privados também está disponível a vacina HPV nonavalente (HPV9), que amplia a proteção para nove tipos do vírus. A SBIm recomenda, sempre que possível, sua utilização preferencial.
Além disso, existem recomendações específicas para pessoas imunossuprimidas e outros grupos com maior risco, que podem ter esquemas diferentes. Por isso, olhar apenas para a idade pode não ser suficiente para saber se existe indicação de vacinação.
As duas vacinas oferecem proteção contra tipos de HPV associados a doenças importantes, mas abrangem quantidades diferentes de tipos do vírus. A vacina quadrivalente, utilizada atualmente no Programa Nacional de Imunizações, protege contra quatro tipos de HPV.
Já a HPV9, disponível na rede privada, protege contra nove tipos do vírus e amplia a cobertura contra tipos associados principalmente a lesões pré-cancerosas e cânceres relacionados ao HPV.
Isso não significa que todo mundo precise simplesmente “trocar” uma vacina pela outra. O histórico de doses anteriores deve ser considerado para definir o melhor esquema para cada pessoa.
Sim, dependendo da idade e da indicação.
Ter iniciado a vida sexual ou mesmo já ter tido contato com algum tipo de HPV não significa necessariamente que a pessoa tenha sido exposta a todos os tipos contemplados pela vacina. A SBIm mantém recomendação de vacinação para adolescentes e adultos mesmo quando já houve exposição prévia, respeitando as indicações de cada faixa etária.
A vacina, entretanto, tem função preventiva: ela não trata uma infecção por HPV já existente nem substitui o acompanhamento médico e os exames de rastreamento recomendados. Por isso, prevenção por meio da vacinação e acompanhamento de saúde caminham juntos.
Antes do fim de 2026, vale separar alguns minutos para verificar:
se crianças e adolescentes entre 9 e 14 anos receberam a vacinação indicada para a idade;
se adolescentes e jovens de 15 a 19 anos ficaram sem vacinação e podem participar da estratégia de resgate;
se existe registro das doses já recebidas;
se o esquema iniciado anteriormente foi concluído;
se alguma condição de saúde modifica a recomendação;
se existe indicação de vacinação na vida adulta;
qual vacina e esquema são mais adequados considerando o histórico individual.
Em caso de dúvida, uma avaliação da carteira de vacinação pode ajudar a identificar doses realizadas e possíveis oportunidades de atualização.
É comum associarmos a vacina contra o HPV apenas ao início da adolescência. Mas o histórico vacinal de cada pessoa conta uma história diferente. Para quem perdeu a oportunidade de se vacinar, 2026 ainda oferece tempo para revisar esse cuidado.
A estratégia de resgate para jovens de 15 a 19 anos termina em 31 de dezembro, mas a principal mensagem vale para todas as idades: a melhor maneira de saber se a sua proteção está adequada é conhecer seu histórico e avaliar as recomendações para o seu perfil.
Na Nina Saúde, acreditamos que informação também ajuda a transformar prevenção em cuidado.
Confira sua carteira de vacinação e, se encontrar alguma dúvida, não deixe para depois.
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