Caso Lito Souza: vacinas são alvos de fake news

    4 de setembro de 2026

    Caso Lito Souza: vacinas são alvos de fake news

    Uma doença rara, um diagnóstico difícil e uma história que rapidamente tomou conta das redes sociais. Foi assim que o caso de Lito Souza, do canal aviões e músicas, começou a circular na internet. Depois de revelar que havia sido diagnosticado com doença de Creutzfeldt-Jakob, uma condição neurológica rara e grave, o influenciador passou a ser citado em publicações que relacionavam sua doença às vacinas contra a covid-19.

    E é justamente por isso que precisamos conversar sobre o caso com calma e separar o que é fato do que foi criado a partir dele.

    Uma doença rara que assusta

    A doença de Creutzfeldt-Jakob, conhecida como DCJ, é uma doença neurodegenerativa rara causada por alterações anormais em proteínas chamadas príons. Estima-se que ocorram cerca de um a dois casos por milhão de pessoas a cada ano. Ela pode provocar uma rápida progressão de sintomas neurológicos, como alterações cognitivas, dificuldades de coordenação, problemas de movimento e outras manifestações. É uma doença grave e, atualmente, não existe tratamento capaz de interromper sua evolução.

    A DCJ foi descrita pela primeira em 1920, logo não surgiu com a covid-19 e tampouco e nem é uma doença nova. A forma mais comum é a chamada DCJ esporádica, que representa a maioria dos casos e surge sem que seja possível identificar uma causa específica. Existem também formas hereditárias e formas adquiridas em situações muito específicas.

    E foi justamente a raridade da doença que ajudou a alimentar a dúvida nas redes.

    Afinal, a vacina causa a doença de Creutzfeldt-Jakob?

    Não há evidências científicas que demonstrem essa relação.

    A alegação ganhou espaço principalmente pela associação entre a vacinação de Lito e o diagnóstico que veio posteriormente. Mas uma doença aparecer depois de uma vacinação não significa, por si só, que tenha sido causada por ela. É por isso que a ciência precisa olhar para muito mais do que a história de uma única pessoa. Esse talvez seja um dos maiores problemas das informações de saúde que circulam nas redes sociais.

    Se uma vacina estivesse provocando milhares de novos casos de uma doença tão rara, seria esperado que esse sinal aparecesse nos dados de saúde da população e isso não é o caso.

    Mas e quando alguém realmente adoece depois de se vacinar?

    Essa pergunta merece ser feita e levada a sério: acompanhar a segurança das vacinas significa justamente investigar acontecimentos que aparecem depois da vacinação.

    No Brasil, existe um sistema de vigilância para esses casos. Eles são registrados como eventos supostamente atribuíveis à vacinação ou imunização (ESAVI). A investigação é que vai determinar se existe ou não uma relação. É assim que funciona o acompanhamento de segurança dos imunizantes: observar, investigar, comparar dados e procurar padrões.

    Dica da Nina: antes de compartilhar uma informação, reflita

    Quando aparecer aquela publicação dizendo que “ninguém quer que você saiba”, que “um estudo foi censurado” ou que determinada vacina “está causando uma doença”, pare por alguns segundos. Procure a fonte. Vá até meios confiáveis, como o blog da Nina saúde. Procure informações em instituições de saúde e sociedades científicas. E faça uma pergunta simples: essa informação mostra uma relação de causa e efeito concretas ou apenas diz que duas coisas aconteceram? Essa pequena reflexão pode evitar que uma informação falsa chegue a dezenas de pessoas e fake news circulem na internet.

    O caso Lito merece cuidado e acolhimento

    Uma pessoa enfrentando uma doença grave merece respeito. Existe uma família passando por esse momento que merece acolhimento. Transformar essa história em uma prova de que uma vacina causou a doença, sem que exista evidência científica para isso, não ajuda ninguém. Pelo contrário, pode gerar medo em quem precisa se vacinar e ainda desviar a atenção daquilo que realmente importa: entender a doença, apoiar quem está passando por ela e continuar produzindo conhecimento.

    Informação de qualidade também precisa chegar rápido.

    E, quando o assunto é vacinação, informação confiável é parte da proteção. Na Nina Saúde, estamos aqui para ajudar você a cuidar da saúde da sua família com segurança, acolhimento e informação baseada em evidências.

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