
27 de outubro de 2026
A dengue é uma doença viral transmitida principalmente pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti infectada. Temperatura e disponibilidade de água interferem diretamente no ciclo do mosquito. Períodos quentes e chuvosos podem favorecer sua reprodução, aumentando a quantidade de criadouros e, consequentemente, as oportunidades de transmissão do vírus.
Mas essa relação não acontece de maneira idêntica em todas as regiões. Em 2026, o Ministério da Saúde alertou que o El Niño pode produzir diferentes efeitos pelo país. Enquanto algumas áreas podem registrar mais calor e chuva, outras podem enfrentar períodos mais secos que estimulam o armazenamento de água — que, quando feito de maneira inadequada, também pode criar ambientes favoráveis ao mosquito.
Por isso, a prevenção da dengue não deve depender apenas da chegada da estação chuvosa.
Porque combater a dengue exige ações contínuas. Quando os casos já estão aumentando, o mosquito provavelmente já encontrou condições favoráveis para se reproduzir e o vírus pode estar circulando com maior intensidade.
Eliminar possíveis criadouros antes desse momento ajuda a reduzir as oportunidades para o Aedes aegypti completar seu ciclo de reprodução.
Dentro de casa e nos arredores, alguns cuidados continuam importantes:
evitar recipientes que acumulem água;
manter caixas-d'água corretamente fechadas;
verificar calhas, vasos, ralos e outros locais que possam servir de criadouro;
manter piscinas e reservatórios adequadamente tratados;
observar áreas externas após períodos de chuva;
utilizar medidas de proteção individual, como repelentes, quando indicadas.
O Ministério da Saúde reforça que, mesmo com a existência de vacinas, o controle do mosquito continua sendo uma das principais estratégias de prevenção da dengue e de outras arboviroses, como zika e chikungunya.
Ou seja: vacinação e controle do vetor não competem entre si. São estratégias que podem atuar de forma complementar.
Hoje, a vacinação também faz parte das possibilidades de prevenção contra a dengue. Entre as vacinas registradas no Brasil está a Qdenga, uma vacina tetravalente indicada pela Anvisa para prevenção da dengue causada pelos quatro sorotipos do vírus em pessoas de 4 a 60 anos.
A existência de quatro sorotipos também explica por que uma pessoa pode ter dengue mais de uma vez ao longo da vida. A infecção por um sorotipo não significa proteção definitiva contra os demais. Por isso, ter tido dengue anteriormente não significa que os cuidados de prevenção deixaram de ser necessários.
Existe um motivo simples: o esquema da Qdenga não é concluído em uma única aplicação. A vacina é administrada em duas doses, com intervalo de três meses entre elas. Isso significa que quem começa a pensar em vacinação apenas quando uma temporada de maior transmissão já está acontecendo pode descobrir que o planejamento poderia ter começado antes.
Imagine, por exemplo, uma pessoa que recebe a primeira dose em outubro. De acordo com o intervalo recomendado, a segunda dose será realizada aproximadamente três meses depois. É uma lógica parecida com outros cuidados de saúde: prevenção costuma funcionar melhor quando é planejada antes de o risco aumentar.
Ainda assim, o momento adequado para vacinação precisa considerar idade, histórico de saúde, gestação, condições que alterem o sistema imunológico e possíveis contraindicações. Por isso, a decisão deve ser individualizada.
A infecção anterior não impede necessariamente a vacinação. A Qdenga possui indicação aprovada pela Anvisa para pessoas de 4 a 60 anos independentemente de exposição prévia ao vírus.
Isso é relevante porque existem quatro sorotipos do vírus da dengue. Depois de uma infecção, a pessoa desenvolve proteção contra aquele sorotipo específico, mas continua suscetível aos demais. O momento da vacinação depois de um episódio recente da doença, porém, deve ser avaliado conforme as recomendações vigentes e a situação individual.
Por isso, se você teve dengue recentemente, informe isso ao profissional responsável antes da aplicação.
Não.
Essa é uma das mensagens mais importantes quando falamos sobre vacinação contra dengue. Mesmo pessoas vacinadas devem continuar combatendo criadouros e utilizando outras formas de prevenção.
Além da dengue, o Aedes aegypti também pode transmitir outras arboviroses, como zika e chikungunya, e a vacina contra dengue não oferece proteção contra essas doenças. O Ministério da Saúde continua considerando o controle do vetor uma estratégia fundamental para prevenção das arboviroses.
Por isso, uma prevenção mais completa combina diferentes atitudes:
reduzir os criadouros + diminuir a exposição ao mosquito + avaliar a vacinação quando indicada.
Outra razão para não diminuir os cuidados depois de uma infecção é a existência dos diferentes sorotipos do vírus.
São quatro sorotipos capazes de provocar dengue.
Uma pessoa pode, portanto, ter a doença em diferentes momentos da vida ao entrar em contato com sorotipos distintos. Por isso, frases como “eu já tive dengue, então estou protegido” podem criar uma falsa sensação de segurança. Ter enfrentado a doença uma vez não elimina a necessidade de continuar evitando picadas do mosquito, controlando criadouros e avaliando outras estratégias de prevenção.
Antes de a temporada de maior circulação chegar, vale revisar alguns cuidados:
observe semanalmente locais que possam acumular água em casa;
converse com familiares sobre a importância de eliminar criadouros;
mantenha repelentes adequados disponíveis quando houver indicação;
acompanhe alertas epidemiológicos da sua região;
se tiver entre 4 e 60 anos, avalie com um profissional se a vacinação contra dengue é indicada para você;
caso opte pela Qdenga, lembre-se de que o esquema inclui duas doses com intervalo de três meses;
informe ao profissional caso tenha tido dengue recentemente;
converse sobre condições de saúde, medicamentos, gestação ou outras situações que possam interferir na indicação da vacina.
Prevenção não precisa começar somente quando os casos aparecem ao nosso redor.
A dengue já mostrou que pode representar um grande desafio para a saúde no Brasil. E, diante de um cenário climático que pode favorecer as arboviroses nos próximos meses, antecipar cuidados se torna ainda mais importante.
Isso não significa viver esperando uma nova epidemia. Significa compreender que prevenção também envolve planejamento. Combater criadouros, acompanhar a situação epidemiológica, proteger-se das picadas e avaliar a vacinação são atitudes que podem começar antes do verão.
Na Nina Saúde, acreditamos que esperar o risco aumentar não precisa ser o primeiro passo para começar a se proteger. Quando existe a possibilidade de prevenção, planejamento também é cuidado.
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