
3 de novembro de 2026
Você sabe quais vacinas os seus filhos já tomaram? E as suas: quando foi o último reforço? Se a resposta para qualquer uma dessas perguntas demorou mais de alguns segundos, você não está sozinho. A maioria das famílias brasileiras não tem certeza de que as carteiras de vacinação estão completas; nem a das crianças, nem a dos adultos.
A verdade é que a vacinação é um processo que atravessa todas as fases da vida. Começa nas primeiras horas após o nascimento, passa por dezenas de doses na infância, exige reforços na adolescência e continua na vida adulta com vacinas que muita gente desconhece. Cada fase tem seu próprio calendário e cada calendário tem suas lacunas mais comuns.
Com o fim do ano se aproximando, esse é um bom momento para fazer aquele balanço de saúde que quase sempre fica para depois. E o ponto de partida é simples: abrir a caderneta de vacinação de cada membro da família e conferir o que está em dia.
Quando pensamos em vacinação, o primeiro reflexo costuma ser pensar nas crianças. E faz sentido: o calendário infantil é extenso, acompanhado de perto por pediatras e cobrado por escolas. Mas justamente por causa desse foco na infância, muitas famílias acabam negligenciando duas coisas importantes:
Primeiro, que crianças também podem estar com vacinas atrasadas. Basta uma consulta perdida, uma mudança de cidade ou um período de doença para que uma dose fique para trás. E um atraso de poucos meses pode virar uma lacuna de anos.
Segundo, que adultos têm seu próprio calendário vacinal e ele não se resume à vacina da gripe. Reforços de tétano e coqueluche, hepatite B, tríplice viral, HPV, herpes zóster, pneumocócica: são vacinas recomendadas pela Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) que a maioria dos adultos simplesmente não sabe que deveria tomar.
E há um efeito coletivo aqui: quando todos na família estão vacinados, a proteção se multiplica. Um avô com a vacina da coqueluche em dia protege o neto recém-nascido. Um pai vacinado contra o sarampo não traz o vírus para casa. A saúde de cada um depende, em parte, da saúde de todos.
O calendário infantil brasileiro é um dos mais completos do mundo. São mais de 15 vacinas diferentes nos primeiros anos de vida, com doses que vão da maternidade até os 4–5 anos, e reforços que se estendem até a adolescência.
Reforços da DTP (difteria, tétano e coqueluche): as três doses iniciais costumam ser tomadas, mas os reforços aos 15 meses e aos 4 anos muitas vezes ficam esquecidos.
Segunda dose da tríplice viral: a primeira dose (aos 12 meses) quase sempre está registrada; a segunda (aos 15 meses, combinada na tetraviral) é a que mais escapa.
Vacina contra varicela (catapora): muitas crianças tomaram apenas uma dose. A segunda dose, recomendada pela SBIm, é frequentemente deixada de lado.
HPV na adolescência: recomendada a partir dos 9 anos para meninos e meninas, muitas famílias adiam ou esquecem, especialmente a segunda dose.
Meningocócica ACWY: o reforço na adolescência (11–12 anos) é relativamente recente no calendário e ainda tem baixa adesão.
Hepatite A: dose única no calendário do SUS (aos 15 meses), mas a SBIm recomenda duas doses para proteção mais duradoura.
Se o seu filho tem entre 5 e 15 anos e você não conferiu a caderneta recentemente, vale a pena dar uma olhada. É nessa faixa que os atrasos mais se acumulam, justamente porque a frequência ao pediatra diminui e as cobranças escolares nem sempre são rigorosas.
Para os adultos, o cenário é ainda mais desconhecido. Diferentemente do calendário infantil, que tem pediatra e escola cobrando, o calendário do adulto depende quase inteiramente da iniciativa da própria pessoa.
Hepatite B: muitos adultos não completaram o esquema de três doses, especialmente quem nasceu antes de a vacina ser incluída no calendário universal.
Tríplice viral (SCR): protege contra sarampo, caxumba e rubéola. Adultos nascidos a partir de 1960 devem ter ao menos duas doses comprovadas.
dTpa ou dT (difteria, tétano e coqueluche): o reforço deve ser feito a cada dez anos. É extremamente comum estar com esse reforço vencido sem saber.
Febre amarela: a recomendação mudou ao longo dos anos, o que gera confusão sobre quem precisa de dose adicional.
HPV: recomendada para adultos até 45 anos. Muita gente acredita que é "só para adolescentes", o que não é verdade.
Herpes zóster: indicada a partir dos 50 anos, protege contra uma doença dolorosa e incapacitante que poucas pessoas associam à vacinação.
Influenza (gripe): anual, para todas as idades, mas muitos adultos saudáveis não a consideram necessária.
O processo é mais simples do que parece:
1. Reúna as cadernetas. Localize a caderneta de vacinação de cada membro da família: crianças, adolescentes e adultos. Se alguém perdeu o documento físico, o aplicativo Meu SUS Digital pode ter registros parciais de vacinas tomadas na rede pública.
2. Compare com o calendário atualizado. A SBIm publica anualmente os calendários por faixa etária (criança, adolescente, adulto, idoso, gestante). Eles estão disponíveis no site da SBIm e servem como referência para verificar o que deveria ter sido tomado e o que ainda falta.
3. Identifique as lacunas. Anote, para cada pessoa, quais vacinas parecem estar faltando ou sem comprovação. Nem sempre é fácil interpretar a caderneta sozinho, os nomes comerciais mudam, e a mesma vacina pode ter sido registrada de formas diferentes ao longo dos anos.
4. Consulte um profissional. Leve a lista a um profissional de saúde, um pediatra ou uma clínica de vacinação. Eles vão confirmar o que realmente está pendente e montar um plano de atualização com prioridades e intervalos corretos.
O mais importante é não confiar apenas na memória — nem na sua, nem na das crianças. "Acho que tomou" não é a mesma coisa que "tenho registro de que tomou".
A boa notícia é que, na grande maioria dos casos, é possível retomar o esquema vacinal de onde parou — tanto para crianças quanto para adultos. Não é necessário recomeçar do zero. A SBIm e o Ministério da Saúde orientam que doses atrasadas sejam administradas respeitando os intervalos mínimos entre elas, sem prejuízo para a eficácia.
Para crianças com muitas doses pendentes, o profissional de saúde pode montar um cronograma de recuperação que distribui as vacinas ao longo de semanas, respeitando as combinações seguras e priorizando o que é mais urgente para a idade.
Checklist: revisão da carteira de vacinação da família
Para as crianças e adolescentes:
[ ] Localizei a caderneta de vacinação do(s) meu(s) filho(s).
[ ] Conferi se as vacinas dos primeiros anos de vida estão completas (pentavalente, pneumocócica, meningocócica, tríplice viral, hepatite A, varicela).
[ ] Verifiquei se os reforços de DTP (15 meses e 4 anos) foram tomados.
[ ] Confirmei a vacinação contra HPV (a partir dos 9 anos — duas doses).
[ ] Verifiquei o reforço de meningocócica ACWY na adolescência.
Para os adultos:
[ ] Localizei minha caderneta de vacinação (física ou digital).
[ ] Verifiquei se o reforço de difteria e tétano (dT/dTpa) está dentro da validade de dez anos.
[ ] Conferi se tenho as doses completas de hepatite B (são três).
[ ] Confirmei pelo menos duas doses de tríplice viral (nascidos a partir de 1960).
[ ] Avaliei a vacina contra febre amarela para a minha região.
[ ] Considerei vacinas como HPV, herpes zóster e pneumocócica, de acordo com a minha idade.
[ ] Verifiquei se tomei a vacina da gripe este ano.
Para a família toda:
[ ] Conversei com um profissional de saúde sobre eventuais pendências.
[ ] Montei um plano de atualização, se necessário.
Revisar a carteira de vacinação da família é um gesto pequeno que pode fazer uma diferença enorme. Não se trata de medo ou de alarmismo. É sobre cuidar de si, dos seus filhos e das pessoas ao redor, mantendo a proteção que a ciência já oferece há décadas.
Na Nina Saúde, acreditamos que esse cuidado deve ser acessível e sem complicação. Se você quer conferir a carteira da sua família e tirar dúvidas sobre quais vacinas podem estar faltando, é só falar com o nosso atendimento. A nossa equipe pode analisar a situação de cada membro da família e orientar os próximos passos de forma prática, acolhedora e sem julgamento.
Porque manter a vacinação em dia não é só uma questão de saúde individual. É um ato de cuidado coletivo que começa dentro de casa.
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